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Entrevista com Raquel Helena Imprimir
 

Pedagoga de formação, Raquel Helena de Souza Ferreira dedicou boa parte de sua carreira profissional ao cooperativismo, fazendo muitos cursos na área, inclusive MBA, mantendo-se sempre atualizada. Conhecimentos que colocou em prática nesses 15 anos a frente da COOPERUFPA, instituição financeira criada em 1992 com o objetivo de proporcionar ao cooperado mais qualidade de vida, garantindo cidadania e desenvolvimento social.   

Raquel Helena participou da trajetória da instituição desde sua fundação, compartilhando de princípios cooperativistas, como: adesão livre e voluntária; controle democrático e participação econômica dos sócios; autonomia e independência; educação, treinamento e informação; cooperação entre cooperativas; e preocupação com a humanidade.

Em uma conversa, a presidente da COOPERUFPA faz revelações sobre o trabalho desenvolvido ao longo desses anos.

Como surgiu a COOPERUFPA?

RH: Em 92, nós fundamos nossa cooperativa pela necessidade de ter um órgão que congregasse os funcionários e que desse respaldo para ajudar a superar aquela época difícil. Nós tínhamos um líder aqui no Pará, era o professor Valdecir Palhares, que já tinha uma cooperativa na Escola Técnica, atual Cefet. Ele, que  era o idealizador, o fundador, o líder do movimento aqui no Pará, resolveu nos procurar na UFPA para mostrar que a cooperativa é uma necessidade para que a gente possa se unir e crescer. Então ele fez uma exposição no campus da universidade e nós, do CCS, nos empolgamos, nos unimos e fundamos a cooperativa em 18 de setembro de 1992. Éramos 63 pessoas, entre médicos, professores, secretárias executivas, todos funcionários públicos federais.

Conseguimos uma sala no CCS e começamos a trabalhar, mas era muito difícil para mim estar a frente da cooperativa (como presidente) e ainda na ativa, como funcionária pública. Em 95 eu me aposentei e me dediquei totalmente à cooperativa. Em 1995, nós fizemos eleição para uma nova diretoria e congregamos aposentadas e poderiam trabalhar direto na cooperativa.  

São quantos associados hoje?

RH: Nós estamos com cerca de 3 mil sócios. Nós não procuramos quantidade e, sim, qualidade. O cooperado é que chega aqui para se inscrever.

Ele vem porque sabe do trabalho sério e transparente da cooperativa, que congrega todos os funcionários do Ministério da Educação (MEC).

É um trabalho muito gratificante porque a gente vê esse grau de amizade. Isso é uma família, desde os funcionários até os cooperados. Por exemplo, nas datas festivas, eles são lembrados, comemorados. Eles têm o nosso carinho e se sentem bem. A cooperativa faz o seu lado social; muitas vezes o cooperado não sai daqui com o que quer, mas sai tranqüilo.

Como o trabalho é desenvolvido?

RH: Somos uma cooperativa de crédito de ajuda mútua. O nome já diz, ajuda mútua, ou seja, nós a criamos para nos ajudar mutuamente. Então nós aqui na cooperativa somos iguais, não há diferença de classe ou qualquer outra. Nós vemos as pessoas pela necessidade que ela possui e não pelo que ela é. Isso é importante: não fazemos diferença das pessoas, todos têm o mesmo atendimento. Se fôssemos trabalhar somente em cima do que o cooperado contribui seria muito pouco, pois muitos depositam 1% do que ganham, que equivale a R$ 20 reais, o empréstimo dele seria muito baixo. Nós vemos esse lado social, estudamos o histórico dele. Se for um cooperado correto, fazemos um estudo de sua necessidade, que pode ser uma casa, por exemplo. E vemos a possibilidade de conceder o valor, com pagamento em até 46 vezes com os juros mais baixos do mercado. Nós somos uma instituição financeira, só que a parceria que nós temos é diferente da parceria dos bancos. É importante lembrar que,  se o associado der prejuízo, todos nós somos prejudicados; se a cooperativa der lucro, todos nós somos beneficiados.

O que significa contribuir com os cooperados?
 
RH: Não há expressão para definir a sensação. Não só de ajudar com a compra de casa, carro... A pessoa as vezes está doente e não pode arcar com as despesas da cirurgia. Aí a gente interfere junto aos planos, mesmo quando esta pessoa não tem direito. E existe uma credibilidade, os planos de saúde nos olham com diferencial. Estamos com um caso de uma associada que não tinha direito, mas está com o filho em tratamento em São Paulo. Ela sempre telefona e nos informa que ele já foi operado e está se recuperando bem, graças a Deus. A satisfação de saber que podemos ajudar é imensa.

 
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